domingo, 3 de janeiro de 2010

Do Início.

Quando a gente faz uma nova amizade, sempre nos dá uma sensação diferente. Acho que um pouco de insegurança. No início, você não conhece aquela pessoa por inteira. Fica cheio de incertezas. Mas, depois de muito papo, parece que uma interligação é formada. Ainda que muitas informações sejam compartilhadas, nada é suficiente para satisfazer a sede do conhecimento. Sempre queremos saber mais e mais sobre o indivíduo. Parece que a curiosidade não acaba nunca.

Deve ser estranho começar uma amizade pela internet. Mas começar mesmo, quero dizer, sem ter visto a cara do fulano, sem saber qual a sua altura, qual o timbre da sua voz. Talvez não seja algo saciável, por essa razão. Além do fato de que, pela internet, todo mundo fica à vontade. Nunca entendi muito bem isso. Creio que, quando não há um encontro de olhares, não há medo, não há acanhamento. Por um lado, isso é bom porque a conversa fica muito mais livre, solta, sem muitas censuras. Por outro, parece que aquela situação é programada, porque, pessoalmente, aquele sujeito pode ser totalmente diferente do modo como ele se apresenta. Fica complicado saber se a pessoa tem, ou não, certas características. Tudo isso, justamente, pelo lance do olhar, do perceber.

No momento em que há confiança e segurança para um programa, tudo fica mais claro. Nessa hora, é quando a amizade nasce realmente sem nenhum pano de fundo.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

No Name.

Bem, não sei como iniciar esse texto. Sim, sei bem sobre o que vou abordar, mas não sei como transcrevê-lo (isso acontece muito comigo). Talvez um tipo de ‘retrospectiva-analítica-informal’, estou incerto.

Sinto-me cercado de certezas e incertezas nesses últimos tempos - o que não é surpreendente para ninguém, pois todos se sentem dessa maneira de um modo direto ou indireto. Tenho, porém, conseguido equilibrá-las até agora (ao menos). Nesse ano, principalmente, pude notar o quanto a convivência é necessária a fim de obter uma maior avaliação acerca do outro e até de si mesmo. A qual ponto é possível chegar para demonstrar proteção e preocupação? Acredito que o clímax desse estado seja apresentado juntamente com a compreensão, que, de início, pode ser notada com certa dificuldade. Quanto a mim, o que vale é o respeito pelo que é individual, particular. Isso pode ocorrer quando há uma interligação familiar.

Quando uma vida é compartilhada com outra, sem laços biológicos, há um rumo diferente. Não é possível levar em conta as desconsiderações, além disso, existem muitas divisões a serem tomadas. Mas toda essa situação não é evidenciada com nitidez porque senão tudo iria parecer uma tarefa complicada e um relacionamento não é uma tarefa. É algo que tem seu significado baseado na seriedade, pois a verdade e a sinceridade devem estar traçadas juntamente com ele. Muitas coisas banais podem surgir, e é daí que vem parte da minha incerteza. Às vezes, penso que não sou o ideal, apesar de saber que o que é ideal é ilusório. E isso, realmente, eu não queria ser. Todas essas coisas utópicas me incitam. Penso erroneamente quando tento ligar idealizações às veracidades. Isso é um fato que me cerca, quase que constantemente. Talvez, haja sim um alguém que possa agradar, de forma mais intensa que eu, o espírito. Um que seja menos torto e menos desengonçado. Um menos acanhado e menos embaraçado. Mas não sei se haveria tempo de chegar-se a ter vontade para isso. Espero, com muita veemência, que esse dia não chegue.

Fora isso, estou muito bem. Disso estou certo. Claro que faltam algumas coisas para o meu contentamento estar completo, mas nenhum ser humano vive satisfeito - isso não seria vida.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Borboletear/ Papillonner.

Eu esperei as borboletas passarem por aqui numa manhã

Eu esperei as borboletas passarem por aqui um dia

Numa semana inteira, eu fui para a alameda e esperei as borboletas passarem por ali

Mas elas não passaram

Elas não passaram

-

Eu quero contar-lhes minha história

Eu quero sussurrar-lhes minhas idéias

Acredito que elas ouviram com paciência

Elas irão entender, eu sei

-

Até que as borboletas possam voar ao meu lado,

Eu caçarei todos os caçadores de seres voantes

E até que as borboletas possam pousar na minha cabeça e no meu ombro,

Eu plantarei milhares de flores

-

Eu acredito que elas virão,

Eu acredito!

Vou cantarolar com elas, eu sei

Voarei com elas, eu sei

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Palavras no Futuro.

Matt e Thomas irão viajar juntos para um bocado de lugares. Thomas ainda terá um dia cansativo e aborrecedor no seu trabalho. Ele chegará estressado na sua casa e Matt, um grande artista, aguardará sua chegada com um apetitoso jantar. Thomas terá um futuro promissor. Matt também. Eles ainda passarão muitos dias interligados, mas, caro(a) leitor(a), não se esqueça de que o tempo é algo muito relativo. Eles terão muitos dias de chuva e muitos dias de sol. Pela frente, muita lama os espera. Assim como muitas noites de céu estrelado, dias de céu nublado, de céu em dias de casamento de viúva, de céu em épocas de cajus, de carambolas, de framboesas... Entre eles, haverá esboço de brigas, período de brincadeiras e momentos de intenso deleite. Mas antes de tudo isso ocorrer, Matt e Thomas buscarão o sentido do “sim, e por que não?”, do “talvez” e do “quem sabe?”. Acrescento: tudo, tudo é algo muito relativo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Tiê.




Vem, passarinho
Vem cantar para mim outra vez
Vem fazer minha solidão ir embora
Vem espantar essa minha melancolia
Vem!...


Voa, voa, passarinho
Só não voe para muito longe
Seja livre, passarinho
Mas não se esqueça de mim
Não se esqueça do seu amor


Oh, meu pequeno passarinho
Cheio de carinho para dar
Deixe aquela mata escura
Para voar ao redor do meu pequeno lar


Cante, cante, passarinho
Cante, cante
Cante, cante, passarinho
Cante, cante

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009